quarta-feira, 14 de abril de 2010

Twitter abre espaço para a publicidade

Pela primeira vez, o Twitter abrirá espaço para a propaganda. O microblog anunciou em seu site oficial que, a partir de agora, oferecerá aos anunciantes tweets promocionais, nos quais possam ser divulgados marcas e produtos.

Tais postagens aparecerão somente no campo de busca, quando os usuários digitarem o termo e este coincidir com o nome do produto ou da marca postada pelo anunciante. A iniciativa começa a materializar a nova visão do microblog que, há alguns meses, declarou que pretendia abrir mais espaço para a participação publicitária - algo que seus fundadores haviam rejeitado na época de sua criação.

De acordo com o cofundador do Twitter, Biz Stone, as mensagens publicitárias não terão uma linguagem tradicional, mas sim uma abordagem que, segundo ele, se identifique com o estilo dos usuários do microblog e se enquadre aos temas ali tratados. Algumas empresas, como a Sony Pictures e Starbucks já assinaram contratos para exibir suas marcas na rede social.

A nova medida traz consigo a missão de fazer com que alta popularidade do Twitter também possa gerar lucro. De acordo com a companhia, como estratégia, foi preferível utilizar, no início, uma abordagem mais lenta e prudente, a fim de não prejudicar os usuários com a inserção de muitas mensagens publicitárias.

Apesar da abertura para a publicidade, o cofundador do Twitter ainda mantém uma postura cautelosa. Segundo ele, caso os usuários rejeitem ou não interajam com os tweets publicitários de uma forma satisfatória, esse modelo de anúncios será revisto e, poderá, até mesmo, ser eliminado.

Estudo da Ernst&Young aponta potencial do Brasil para grupos globais de mídia

A consultoria Ernst&Young lançou um estudo sobre o mercado emergente de entretenimento no Brasil, Índia, Rússia e China. O documento foi apresentado em um debate sobre as oportunidades de negócios nestes países durante o NABshow nesta quarta, 14. O estudo aponta que, depois da TV aberta, a telefonia móvel é, por enquanto, a plataforma com maior possibilidade de negócios nestes países. Isto porque a penetração da telefonia móvel é grande, ao contrário da penetração de Internet ou TV por assinatura.

O estudo aponta ainda que as grandes empresas globais de mídia exploram pouco a estes mercados. Embora estes países contem com 40% da população economicamente ativa, apenas 10% das receitas globais dos grandes grupos de mídia vêm destes países. Especificamente sobre o Brasil, o estudo aponta que está havendo uma mudança do modelo de TV aberta para a TV por assinatura, o que, combinado com a penetração potencial da banda larga, indica que o país seja mais atrativo aos grandes grupos globais.

Publicidade

No painel, Brian Wieser, da consultoria Magna Global, apontou que o crescimento publicitário não acompanha necessariamente o crescimento econômico. "O crescimento econômico sozinho não faz crescer o bolo publicitário. Para que haja mais dinheiro em publicidade, é necessário surgirem novas categorias de anunciantes", afirmou. Além disso, precisam aparecer novas categorias de mídia com potencial, ou seja, com relevância de público. "Se os anunciantes forem os mesmos, e houver monopólio na veiculação de publicidade, o crescimento econômico não será sentido pela mídia".

O diretor geral de engenharia da TV Globo, Fernando Bittencourt, apresentou o cenário atual do Brasil no debate. Segundo ele, a TV por assinatura ainda tem baixa penetração no Brasil, e que a audiência dos canais abertos entre os assinantes mostra a força da TV aberta, que deve ganhar ainda mais espaço com a digitalização e a transmissão para dispositivos móveis.

Bittencourt, no entanto, traçou um cenário futuro onde vê a radiodifusão ainda com destaque, mas com maior força à distribuição de conteúdo por redes de banda larga, sejam elas por cabo ou wireless. Segundo ele, a TV por assinatura deixará de ter o desenho atual de distribuição, passando para as redes de dados. O cenário futuro incluiria ainda TV pela Internet, como indicam os lançamentos tecnológicos recentes. O engenheiro da Globo prevê ainda que o conteúdo em 3D e o ultra high definition cheguem ao mercado no futuro.

Sobre o futuro da TV aberta, o consultor Brian Wieser concordou com Bittencourt. Disse que "a televisão é o pior tipo de publicidade, com exceção de todos os outros tipos de publicidade já inventados", em analogia à célebre frase de Winston Churchill sobre a democracia.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Ibope radiografa imagem da publicidade no Brasil

Pesquisa com dois mil entrevistados traça cinco perfis de consumidores, desde o apaixonado até o “rejeitador”. Estudo mostra que 62% reconhecem a importância da propaganda em suas vidas


O brasileiro é um apaixonado por propaganda, mas nem por isso se deixa enganar. Essa é a essência de uma pesquisa encomendada ao Ibope pela Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), que a apresentou na sexta-feira 9.

Foram ouvidos mais de dois mil consumidores entre 16 e 55 anos em nove capitais. Mais de dois terços reconhecem a importância da propaganda em suas vidas (62%). O dado mais animador é o apreço manifestado pela atividade: 43% declaram gostar da publicidade. A propaganda política, porém, tem desempenho oposto: 57% não gostam nada dela.

O espírito crítico dos consumidores ficou mais evidente naqueles de classe A (apesar de 61% serem favoráveis) e, no critério geográfico, no Rio de Janeiro e em Fortaleza. Os efeitos da propaganda foram avaliados como informativo (66%), persuasivo (25%) e econômico (10%). O grupo majoritário entende a propaganda como fonte de informação, enquanto o segundo se divide bem entre os que consideram a propaganda como persuasiva e que traz mais opções de escolha aos consumidores.

O grupo menor entende que a propaganda permite melhor conteúdo nos veículos de comunicação (40%) e preços acessíveis aos mesmos (49%), além de contribuir para uma concorrência saudável entre as marcas (71%).

A pesquisa também dividiu os consumidores em cinco categorias, de acordo com a relação que nutrem com a propaganda. A predominância foi dos apaixonados (30%), seguidos dos reguladores e os racionais (19% cada); os apaixonados desconfiados (18%) e, por fim, dos rejeitadores (14%).

O primeiro grupo tem uma relação de confiança total com a propaganda, valorizando a função persuasiva da propaganda. Os reguladores reconhecem a importância, mas não se sentem seduzidos e são favoráveis ao controle e regulamentação da atividade. Os racionais valorizam mais a função informativa, mas veem as restrições com atitude autoritária. Os desconfiados são semelhantes ao primeiro grupo, mas são mais ressabiados; enquanto os rejeitadores não gostam, entendem como indução ao consumo desnecessário e são favoráveis a rígida regulamentação.

Os temas mais polêmicos do setor também foram submetidos aos entrevistados, dos quais apenas 38% declaram saber que existem órgãos reguladores. Apenas 9% citaram o Procon na pesquisa estimulada, número que cai para 7% na espontânea.

O Conar, por sua vez, foi citado por apenas 3% nas duas amostras, apesar de 14% declararem "já ter ouvido falar" e 69% considerarem sua atuação como "muito boa", além dos 19% que a consideram "boa".

A maioria não considera que a propaganda voltada ao público infantil deva sofrer grandes restrições, com aprovação de 49%. Esse número sobe para 55% entre aqueles com filhos até 12 anos, mas cai para 46% entre aqueles sem filhos com menos de 12.

A atitude é bem menos liberal quando o assunto é propaganda para cigarros, bebidas destiladas, cervejas ou vinhos, com defesa da proibição de 64%, 34%, 29% e 27% respectivamente. "As pessoas não são indefesas. Entendem o papel da propaganda, a valorizam, mas também reagem quando acham necessário", afirma Nelsom Marangoni, CEO do Ibope Inteligência, em entrevista ao grupo meio mensagem.