quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pesquisa Conexão dos Mídias aponta comportamento dos profissionais do setor

83% dos mídias declaram ter o hábito de ouvir rádio e navegar na internet simultaneamente

Com o objetivo de analisar o comportamento dos profissionais de mídia, o IBOPE Mídia desenvolveu o estudo especial Conexão dos Mídias, que ouviu 85 entrevistados durante o MaxiMidia 2009, evento do setor que aconteceu entre os dias 6 e 8 de outubro, em São Paulo. A pesquisa busca retratar a percepção deste público específico em relação ao tema conectividade e compará-la com a média obtida na pesquisa "Conectmídia: Hábitos de consumo de mídia na era da convergência", que aponta como o cenário da convergência de meios atual afeta a vida, as ambições e os relacionamentos do consumidor brasileiro.

O estudo inédito revela que os profissionais de mídia são heavy users dos meios de comunicação e apresentam uma visão diferente desse momento cheio de possibilidades que é a era da informação. É interessante notar, porém, que em algumas situações a reação destes protagonistas é exatamente igual à da população, externando angústias e desejos similares.

Reações parecidas
Os profissionais de mídia aproximam-se da população quanto a sentirem-se pressionados com a quantidade de informações disponíveis atualmente: 57% deles sentem-se desta forma, enquanto esse resultado nos demais consumidores é de 53%. Os públicos estão em linha, porém, quando questionados sobre conseguir absorver toda a informação e tecnologia disponíveis: os resultados são praticamente iguais, com 60% e 59%, respectivamente.

Com relação ao comportamento midiático, muito provavelmente por força das exigências e especificidades do trabalho, os resultados foram diferenciados. Os profissionais de mídia revelam maior preocupação com a qualidade da informação (91%) do que a média da população, com um índice 10 pontos percentuais menor. Essa diferença de comportamento é maior ainda quando se trata de consumo simultâneo dos meios, que aparece como uma realidade expressiva no dia a dia desse profissional. Quando levados a ratificar a frase “na maioria das vezes, me dedico a um meio de cada vez”, apenas 38% dos mídias concordam, enquanto na população esse índice é mais que o dobro, batendo na casa de 82%. Além disso, 83% dos mídias declaram ter o hábito de ouvir rádio e navegar na internet simultaneamente.

Se o consumo simultâneo é rotina para os profissionais do setor, a vida online também está definitivamente incorporada nas atividades, já que 78% consideram as redes sociais como parte da rotina e 32% preferem relacionar-se virtualmente. São índices expressivamente mais altos comparados aos obtidos com o total da população para a qual 45% têm as redes sociais como rotina e apenas 16% preferem trocar o relacionamento pessoal com amigos/família/colegas de trabalho para falar por computador.

Além disso, mais da metade dos mídias (54%) afirma que habitualmente baixa fimes/séries pela internet, enquanto esse índice não chega a um quarto da população, sem falar que 65% dos mídias ouvem rádio pela internet com freqüência, índice que fica na casa de 26% no geral.

Internet supera
Como não poderia ser diferente, os profissionais de mídia estão mais sintonizados com as profundas transformações do padrão de consumo atual. Na medida em que o celular se firma como a multiplataforma de comunicação, para um terço da população as mensagens de propaganda são bem-vindas nesse canal, enquanto quase a metade dos mídias tem a mesma opinião. Mas, para esse profissional, o computador com acesso à internet supera todos os outros canais, seguido de outra plataforma de comunicação ativa instantânea: o telefone celular. “As pessoas estão dispostas a receber conteúdos diversos, propaganda, entretenimento. A eficiência será maior dependendo do momento de cada meio”, analisa Dora Câmara, diretora comercial do IBOPE Mídia.



2020
Algumas questões provocam reações exatamente iguais entre os profissionais de mídia e a população, como no caso da sensação de que o tempo tem passado cada vez mais rápido e no desejo de que gostariam de ter mais tempo para si. A crença de que o tempo estará escasso em 2020 é compartilhada por 87% destes formadores de opinião, muito em função do ritmo frenético de trabalho desta categoria, enquanto na população esse índice não chega à metade. Tanto para a maioria dos mídias quanto da população, água e recursos naturais também estarão escassos no futuro. E se por um lado os mídias têm uma visão menos otimista quando se trata de escassez de contato pessoal, 18% apenas acreditam que naquele ano o trabalho é que vai faltar, diferente de 56% da população.

Horário nobre da insônia

Reportagem publicada no Jornal da Tarde em 3 de novembro de 2009, pelo jornalista Gilberto Amendola, com entrevista da diretora comercial do IBOPE Mídia, Dora Câmara

Faz algum tempo que o velho slogan "televisão emburrece" perdeu a força. E uma nova constatação, apoiada pelos números do IBOPE ganha relevância: televisão é uma ótima companheira das madrugadas. Nos últimos cinco anos, a audiência de horários considerados alternativos cresceu em 15% e o tempo médio do brasileiro em frente à telinha subiu 13 minutos na calada da noite. Enquanto a programação diurna sofre com a dispersão de telespectadores, que migram para outras mídias, os números noturnos atestam a inversão do 'horário nobre'.

A diretora comercial do IBOPE Mídia, Dora Câmara, examina os números. "Pode parecer que 13 minutos (a mais de audiência) é pouco, mas em se tratando de um universo de milhões de espectadores, é uma média alta. O tal "horário nobre" da televisão vem se estendendo até depois da 1 hora da manhã." Ainda segundo o IBOPE, o que dá gás às madrugadas é o público jovem, a classe C e a TV cabo. "Em nossas pesquisas, esses são os elementos que mais aparecem com força. Aparentemente, o público já se habituou a dormir mais tarde", comenta Dora. "Esse público mais conectado com intemet também tem peso nesta estatística. As pessoas ficam mais tempo acordadas e, consequentemente, ligam a televisão."

O tipo mais clássico ainda é aquele que procura na TV o alivio para suas batalhas com o sono. Zizza da Silva, 26 anos, estudante de Rádio e TV, tem o que chama de "hábitos madrugadores" desde que era bebé. "Quando a programação da TV acabava, eu abria o berreiro, acho que esse meu hábito começou aí." Embora more em uma república, ela não se aperta na hora de ligar a TV de madrugada. "As pessoas se acostumaram com o meu jeito." Cinéfila, Zizza zapeia à procura de filmes e séries e descobre uma vantagem dos insones. Algumas produções só dão as caras na TV quando a maioria das pessoas está dormindo. "Tem um tipo de filme que só passa de madrugada. Já virei a noite vendo Cassino, do Martin Scorsese."

Outro grupo de telespectadores corujas é o formado por gente que tem seu relógio biológico dependente de seu horário de trabalho. E aqui não se fala só do exército de profissionais da noite, como porteiros de edifícios e recepcionistas de estacionamentos 24 horas. Chegar em casa depois das 23h já é uma porta para o mundo das "noites brancas" diante da TV. O professor universitário Rafael Mónaco, 52 anos, chega em casa com adrenalina suficiente para saber que ir para a cama não é um bom negócio. A TV da sala é o seu relaxante. "Tenho um bom televisor e uma poltrona adequada. Gosto muito de passar minhas madrugadas aqui."

A qualidade do que se vê em alguns canais é outro ponto a favor dos insones. Sem anunciantes aos montes, e com os soldados da guerra de audiência curtindo seu décimo sono, sobra espaço para boas séries, filmes com poucas inserções comerciais e longas entrevistas, ainda que reprisadas. "Durante o dia, a TV é muito popularesca. Já de noite, além dos filmes, encontramos documentários incríveis. Até os reality shows têm mais qualidade", diz o professor Mônaco.

Sem dormir mais do que quatro horas por noite, a comerciante Suelly Mota Figueiredo, 54 anos, está no time das 'viciadas' em séries. "Vejo os seriados desde o in&iacut e;cio, conheço todas as temporadas de E.R, Cold Case, House. Quando não tem nenhuma série boa, vejo uns programas de venda."

As emissoras começam a dar sinais de que não querem dormir nos pontos do IBOPE e passam a escalar seus pesos pesados para atrair mais audiência. Sem falar na vocação madrugadeira de programas de cunho sexual, como Sexy Time, no Multishow, e religiosos, como o Fala Que Eu Te Escuto, na Record - que contam com fiéis telespectadores, nos dois sentidos da palavra -, o que tem dado as cartas no horário nobre da insônia são os filmes e os seriados. A grade do SBT, por exemplo, reserva séries de grande sucesso, como Smaliville, OZ, One Tree Hill, Cold Case e Medium. Com essa programação, parecida com a da TV paga, só que dublada, a emissora atinge de 3 a 5 pontos de audiência e só fica atrás da Globo.

A Globo escala filmes blockbusters para seus Corujão e Intercine, além de apostar em eventuais seriados, como Bones. Record e Bandeirantes, que vendem boa parte de suas madrugadas para os evangélicos fazerem pregações eletrônicas com picos de não mais que 3 pontos de audiência, também reforçam seus filmes. E uma telespectadora insone diz: "Se a programação do dia fosse igual a da madrugada, a TV seria muito melhor."

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vírtua ultrapassa Speedy e vira líder de banda larga

Net encerrou o terceiro trimestre com um total de 2730 milhões de assinantes, 212 mil a mais do que a Telefônica.

O ano de 2009 definitivamente não foi positivo para a Telefônica. Além de ter perdido quase 150 mil assinantes por conta da suspensão das vendas do serviço Speedy - leia sobre isso aqui - a companhia perdeu a liderança do segmento de internet banda larga no Brasil para a Net.

De acordo com os dados divulgados pela distribuidora de TV por assinatura, o serviço de internet banda larga Vírtua conseguiu alcançar a marca de 2.730 milhões de assinantes no terceiro trimestre de 2009, uma quantia 36% maior do que o total de clientes que a companhia possuía no mesmo período do ano passado.

Dessa forma, no final do mês de setembro, a Net possuía 212 mil assinantes de internet a mais do que a Telefônica, que encerrou o terceiro trimestre do ano com um total de 2.578 clientes para o Speedy.

Nos meses de julho, agosto e setembro deste ano, a Net conquistou 185 mil novos clientes para o Vírtua, o que correspondeu a 57% de todo o crescimento desse mercado no período. Além do incremento do número de assinantes do serviço de internet banda larga, a Net também encerrou o terceiro trimestre com um total de 3.645 milhões de clientes do serviço de TV por assinatura e com 2,5 milhões de assinantes dos serviços de telefonia fixa Net Fone Via Embratel. O número de assinantes das linhas telefônicas é 63% superior do que o total existente no ano passado.

Dados muito interessante sobre o consumo dos meios de comunicação pelo público brasileiro.

Por Alexandre Zaghi Lemos.
Meio Mensagem Online.

Embora a TV se mantenha soberana como principal fonte de informação da população brasileira, o rádio e a internet têm mais credibilidade. É o que revela pesquisa encomendada pelo Grupo Máquina ao Vox Populi, que ouviu 2,5 mil pessoas maiores de 16 anos, entre 25 de agosto e 9 de setembro, no Distrito Federal e nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

O levantamento mostra que os sites de notícias e blogs jornalísticos já são a segunda principal fonte de informações, citados como primeira opção por 20,4% dos entrevistados e ficando atrás apenas da TV, com seus 55,9%. Na sequência, aparecem jornais impressos (10,5%) e rádio (com 7,8%).

Com uso crescente no País, as redes sociais foram citadas como principal fonte de informação por 2,7% da amostra, ficando à frente das versões online dos jornais (1,8%) e das revistas impressas (0,8%) e online (0,1%).

Quando o assunto é credibilidade, o ranking sofre modificações consideráveis. O Vox Populi pediu que os entrevistados dessem notas de 1 a 10 neste quesito aos meios de comunicação listados. Resultado: o rádio pulou para o primeiro lugar, com média 8,21. Em seguida, estão sites de notícias e blogs jornalísticos (8,2), TV (8,12), jornais online (8,03), jornais impressos (7,99), revistas impressas (7,79), redes sociais (7,74) e revistas online (7,67).

Como as notas médias variaram apenas meio ponto percentual, pode-se concluir que não há crise de credibilidade nos veículos de comunicação brasileiros - pelo menos na avaliação do público.

O economista Luis Contreras, consultor do Grupo Máquina e coordenador da pesquisa, foi surpreendido pelo fato de as redes sociais, embora um fenômeno recente, já desfrutarem de credibilidade similar aos demais meios. "Entre os usuários dessa nova mídia, 40% consideram-na como de credibilidade muito alta. Isso nos mostra claramente que não podemos ignorar o poder das redes sociais na formação de opinião", frisa.

Ednilson Machado, sócio-diretor do Grupo Máquina, acrescenta que a pesquisa aponta uma tendência das pessoas se informarem pelas redes sociais, até então vistas mais como plataformas de relacionamento. "Isso faz da internet um ambiente ainda mais promissor. Como as redes sociais demandam muito tempo de interação, acabam sendo um veículo mais próximo das pessoas", avalia.

Como a tradicional mídia eletrônica representada pela TV e pelo rádio se saiu bem na pesquisa, o dado negativo foi mesmo a menor relevância de jornais e revistas impressos. "A internet já tem praticamente o dobro de citações como principal meio de informação em comparação aos jornais impressos, que tradicionalmente são considerados de mais credibilidade entre os formadores de opinião", salienta Machado.

A avaliação pública expressa pela pesquisa contrasta com o resultado de uma consulta feita no ano passado pelo próprio Grupo Máquina a 600 formadores de opinião. Perguntados sobre quais suas fontes de informação, mais da metade (53%) citou a mídia impressa (jornais e revistas), deixando a TV com menos de 10%. Na ocasião, a internet já aparecia bem colocada, com aproximadamente 30% das citações.